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O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL : Debate em aberto[1]
Febrero
2007 Premissa Gostaria de ser bem didática nesta minha exposição, uma vez
que tratar de um argumento em que são representadas tantas diferenças, tanta
pluralidade de organizações, lutas, filosofias, teorias, mobilizações, raças,
cores, culturas, me colocaria diante de escolhas e correria o risco de escolher
umas em detrimento de outras, o que iria justamente contra os princípios pelos
quais este surgiu, e contra a sua principal característica. Faz-se necessário
colocar como tudo começou, para que todos tenhamos uma visão histórica desse
processo, sem sermos influenciados pela mídia. Ora, a tendência seria mostrar
os acontecimentos em ordem cronológica, expor o contexto em que o FSM se criou,
o processo em que se desenvolve e a sua continuidade, o seu futuro. Mas, a meu
ver, a característica mais fascinante nesse processo, é que onde quer que
entremos e comecemos a fazer parte dessa “linha de tempo imaginária”, estaremos
dentro e seremos seus atores neste momento, abrangendo todo o seu início e
construindo o seu futuro. Portanto não há neste texto nem uma ordem
cronológica, nem uma ordem de importância crescente ou decrescente. Há uma coerência com o processo
FSM e sua estrutura horizontal e não piramidal, dinâmica e não seqüencial,
apontando algumas características importantes do processo, deixando o caráter
seqüencial, histórico e crescente para seus próprios idealizadores, ativistas e
participantes indicados na bibliografia e citados em vários momentos. No FSM há tão somente uma
dinâmica, que pode ser olhada sob diferentes ângulos e pode ser abordada sob
inúmeros pontos de vista. Este é mais um dentre
tantos. O contexto Na atual conjuntura mundial, em
que o pensamento hegemônico se torna cada vez mais uma ameaça à liberdade, aos
direitos do ser humano como tal e como cidadão, à vida no sentido mais amplo da
palavra, sem preservar o meio ambiente, o surgimento de um “espaço aberto”
chamado Fórum Social Mundial, onde a sociedade civil possa se manifestar, se
articular e aprender novas forma de prática política e “aprender a desaprender”[2] velhos e carcomidos
paradigmas, me parece a grande reviravolta que o século XXI nos propõe, para a
construção de novos modelos de sociedade. Surgindo em oposição ao Fórum Econômico Social, após várias
manifestações contra o neoliberalismo, o capitalismo e o pensamento único em
várias partes do mundo, o Fórum Social Mundial (criado a partir da idéia de um
brasileiro, Oded Grajew e colocado em prática com a adesão de alguns pioneiros,
Chico Whitaker, Bernard Cassen, na época diretor do Le Monde Diplomatique e fundador do ATTAC- Associação pela Taxação das Transações Financeiras para a Ajuda
aos Cidadãos, com o apoio inicial de algumas entidades brasileiras[3]), gradativamente foi se tornando um espaço de oposição e de
concretizações alternativas ao pensamento hegemônico. Parece-nos um velho discurso de
esquerda, com o qual muitos de nós já nos deparamos enquanto pesquisadores,
cientistas sociais, ativistas, militantes, estudantes, etc. Porém é necessário
aprofundar a sua própria concepção para que as discussões não se baseiem em análises impostas pela mídia, a quem muitas vezes interessa
expor o fracasso de qualquer alternativa contrária a quem a patrocina e
alimenta como tal. Preservar um desafio O grande desafio que me parece
central na preparação e na permissão de realização de um espaço como é o FSM é
o de preservar a característica que lhe é própria: “um espaço aberto”. Mesmo
seguindo uma Carta de Princípios[4], aprovada por todas as organizações que fazem parte hoje de
seu Conselho Internacional (131 de todas as partes do mundo e de todas as
tendências), ainda se verifica várias dificuldades para que permaneça um
“espaço”. E isso demonstra a
dificuldade de mudança de paradigmas. Sabemos que tanto movimentos como
partidos políticos, sempre foram construídos sob uma estrutura organizativa
piramidal, onde a articulação se expressa em hierarquias (ditas democráticas,
mas sempre na disputa pelo poder enquanto tal). A proposta de articulação que o FSM quer possibilitar, tanto
entre as organizações e movimentos que dele participem, quanto em sua própria
estrutura interna é profundamente inovadora. Assim como o século XXI o exige (com as conexões em rede), o
FSM propõe uma estrutura horizontal de articulação em rede, onde não existe uma
palavra de ordem ou uma organização que dita as regras, mas que tenta em seu
interior propor a regra do Consenso[5]. Diferente das regras habituais de
tomadas de decisão por maioria de votos, como funciona normalmente nas chamadas
instâncias democráticas, pode parecer que seja uma forma muito lenta e muito
ineficaz quando se considera que muitas
vezes é necessária a rapidez na tomada de decisões. Mas é exatamente esta uma
das práticas que evita que se caia nas “famosas” alianças e na utilização do
poder para arrebanhar votos, que hoje se tornou uma ação corriqueira tão
amplamente criticada anteriormente pela esquerda, mas tão utilizada por ela
própria quando se vê acuada sem apoio para a ampliação de seu poder. Se a característica e o objetivo desse “espaço aberto” é
possibilitar novas formas de atuação política, práticas de articulação e mobilização alternativas ao
modelo hegemônico, fica claro que o processo de “baixo para cima e de dentro
para fora” é o que mais demonstra a própria coerência. É grande a discussão sobre a
natureza do FSM. Muitos acham que deveria se tornar um movimento de nível
mundial contra o pensamento único, e não um “espaço aberto”. Várias são as
posições dentro da própria organização do FSM a esse respeito. Os membros da
Rede Global de Movimentos Sociais acreditam que o FSM deveria se tornar um ator
político falando em nome próprio, com um centro organizativo, militantes, (como
em partidos políticos) com definição de estratégias e objetivos precisos, com
uma estrutura organizativa piramidal, com seus líderes falando em nome do Fórum
Social Mundial.[6] Apesar disso, muitas vezes alguns
representantes de organizações ou grupos de discussão ou mesmo categorias de
participantes tentam no final de um Fórum, lançar propostas ou manifestos que
muitas vezes não se tem o cuidado de esclarecer que são manifestações de um
grupo e não do Fórum como todo. Como é
notório, no FSM de 2003, a Assembléia dos Movimentos Sociais realizada no final
do FSM, se encerrou com uma “declaração
final” apresentada a mídia como sendo uma
declaração final do FSM. Fato que foi amplamente negado pelos membros de
seu Conselho Internacional, de que não se tratava de uma declaração em nome do
Fórum. O mesmo aconteceu no FSM 2005,
quando 19 intelectuais (entre eles alguns Prêmio Nobel, escritores, ativistas[7]) assinaram o Manifesto de “Porto Alegre”, fato que foi
largamente comentado pelos membros do Conselho Internacional, de que se tratava
de uma, entre as milhares de propostas
que estão no mural de propostas[8]. Era uma forma desta lista de celebridades se manifestar
conjuntamente, assim como o fazem os ativistas de muitos movimentos que no
final formulam suas propostas de mobilização e articulação. O Fórum continua
fora dali, no acompanhamento e na mobilização iniciada nesses dias. Por outro lado, a posição defendida
por alguns dos criadores do FSM, entre os quais Francisco Whitaker, é que o
Fórum é e deve continuar um “espaço aberto”. Um espaço para o encontro e a
troca de experiências entre pessoas, organizações e movimentos que se opõem ao
neoliberalismo. Para discutir propostas de ação, articulação em rede e para
atingir algumas metas comuns a todos aqueles que aceitam a sua Carta de
Princípios. Aqui cito Whitaker: “Um
espaço não tem líderes. Ele é só um lugar fundamentalmente horizontal, como é a
superfície da terra, ainda que podendo comportar altos e baixos... As praças
são espaços em geral abertos que podem ser usados por todos os que encontram
algum tipo de interesse em usá-los”.[9] Já para Boaventura de Souza Santos[10], o importante é que o poder de agregação que o FSM propõe,
supera todas essas diferentes concepções. Segundo ele, as vantagens da união,
ou seja, o que une os movimentos, no processo do FSM, é muito mais importante
do que o que os divide. A manutenção do FSM como um espaço aberto possibilita aos
movimentos encontrarem-se dentro dele, apesar das diferenças. A simples
predominância de algum tipo de orientação ou diretrizes por parte de sua
organização, afastaria os participantes que não estivessem de acordo com tais
posições criando assim mais um sectarismo instituído. Um aprendizado É difícil compreender o Fórum
Social Mundial como um processo. Talvez se faz necessário “aprender a
desaprender” as velhas formas de ação política. Durante mais de um século, a prática política da esquerda se
configurou em quadros dirigentes, representação, disciplina, informação
verticalizada, palavras de ordem, massas. E a história tem demonstrado que
talvez essa prática não seja mais adequada, ou seja, insuficiente para reverter
o avanço da globalização capitalista e do neoliberalismo. Não é uma questão de substituir a lógica
capitalista por outra, chamada socialista. Os métodos usados seriam os mesmos e
fatalmente isso causaria frustração e decepção. A gama de organizações de diferentes tendências, e a busca
constante por manifestações, articulações, intercâmbio de experiências, dentro
e fora do Fórum, está começando a mostrar ao mundo a presença dessa sociedade
civil, que apesar das diferentes lutas, se une para gritar em prol de uma causa comum.[11] No início, o Fórum foi concebido
como um grande evento onde se debateriam formas alternativas ao pensamento
hegemônico, pensados e sugeridos pelos seus organizadores. Aos poucos após a
vivência das experiências, foram se incluindo nesse processo outras formas de manifestação mais
compatíveis com os anseios de seus participantes, num aprendizado constante, em
conjunto e coletivo. A cada edição acrescentam-se métodos diferentes, excluem-se
outros. No FSM na Índia em 2004, expressões culturais (teatro, mímica,
performances, música, cantos, danças, festival de filmes) mais condizentes com
a forma de agir de seu povo, foram sendo introduzidas como uma forma de
manifestação e discussão dos problemas atuais, o que serviu para abrir este
espectro no ano seguinte para Porto Alegre em 2005. No FSM 2005 a programação seguiu uma nova metodologia de
autogestão. Através da consulta temática via ficha de inscrição, foram
identificados 11 espaços temáticos, (temas abrangentes solicitados pelos
inscritos) nos quais as organizações propuseram atividades individualmente ou
em conjunto. Foram 2.500 atividades autogestionados por 4.071 organizações de
135 países. Num total de 155 mil participantes, 2.800 voluntários, 35 mil
integrantes do Acampamento da Juventude, e 6.880 comunicadores. Em todos eles,
porém, permanece a preservação do FSM como um grande espaço em que os
participantes são os autogestores. E o processo continua. Ainda não
se sabe como será o FSM 2006. A proposta é de serem realizados vários,
simultaneamente ao de Davos, em diferentes partes do mundo. Para depois ser unificado na África em 2007. Mas o
aprendizado continua... Vetado. Para quem? Os Partidos Políticos são vetados
como tal a participarem ou organizarem qualquer atividade no FSM. Assim como
organizações militares[12] ou que utilizem a violência como meios para atingir seus
objetivos.[13] A tentativa de preservação desses princípios é um ponto
positivo para aqueles que tendo participado, sejam estimulados a dar
continuidade a esse processo. Ao contrário, as pessoas que não querem ser
usadas (nem por partidos com quaisquer tendências, nem por outros) deixariam de
acrescentar uma enorme contribuição a esta riqueza de idéias e ações, se por
temor de manipulação se recusassem a participar. Obviamente sendo um espaço aberto a todos, é impossível
controlar as intenções daqueles que não obstante conhecendo as regras, tentam
utilizar o FSM como instrumento de propaganda pessoal e de adesão. Por ex: as
presenças de Lula e de Chavez que foram cuidadosamente “convidados” a se
apresentarem no Ginásio do Gigantinho e não dentro do território do FSM... E há também os Fóruns paralelos, onde
representantes de outras entidades ou agrupamentos, seja por concordarem com as
propostas do FSM, seja por interesses vários, utilizam outros locais próximos e
as mesmas datas: Fórum de Juízes, Fórum de Parlamentares, etc... Inovador O Fórum nasceu para se contrapor
às velhas práticas existentes. As velhas práticas que lutavam contra o
capitalismo utilizando-se dos mesmos métodos usados por esse que se pretendia
derrotar, e no final desembocavam igualmente num pensamento único (oposto, dito
de esquerda), mas único. Ao longo da história, essas práticas se mostraram
ineficientes, pois simplesmente substituíam um pensamento único por outro. Ora, o FSM deve ser um espaço de
respeito ao pluralismo e à diversidade, no qual a mudança de estruturas depende
de mudança nas pessoas. Estando a serviço das organizações e de sua expressão
como tal, não existe a competição do Fórum com tais organizações. Mas uma
propiciação de espaço para a sua manifestação. As organizações por sua vez são
heterogêneas e se articulam em rede. A rede é muito mais forte e entrelaçada,
porque cada um de seus membros adere e se articula na medida em que é
co-responsável por ela. Não existindo uma verticalização, não existe uma espera
por ordens decima, ou por alguma ordem superior (o que implica uma passividade
e um comodismo), nem qualquer tipo de “patrulhamento”, mas existe a consciência
que cada um é co-responsável nessa horizontalidade. Isso cria uma postura
ativa, uma mudança interna de consciência de envolvimento no processo, de
compromisso para atingir objetivos comuns. O Fórum Social Mundial conseguiu
criar nos diferentes movimentos e na sociedade civil uma consciência global
contra-hegemônica que não se reconhecia como tal até então.[14] A sua eficácia, a partir da lógica de rede, é surpreendente.
Basta lembrar o exemplo já citado em nota, da manifestação mundial pela paz, no
dia 15 de Fevereiro de 2003, cuja proposta surgida num Fórum Europeu e depois
articulada em Porto Alegre em Janeiro de 2003, se espalhou horizontalmente pelo mundo através de suas organizações, sem
nenhuma coordenação vertical, mas através dos
canais criados pelas organizações interligados entre si, e que levaram às ruas 15 milhões de pessoas. Na realidade, a experiência do FSM demonstra uma verdade
fundamental para a consolidação de novos caminhos em busca de uma sociedade
menos injusta, menos individualista, menos competitiva e menos destruidora. A
transformação social começa pela transformação do próprio indivíduo, nessa
“desaprendizagem” de velhos paradigmas. E entre esses paradigmas se incluem os
hegemônicos de esquerda, que também não se mostraram eficazes, porque acabaram
se tornando bandeiras de um totalitarismo radical. O passado nos fez aprender
que não basta se apossar do poder político e promover mudanças estruturais na
sociedade se não mudarmos as pessoas. O
Fórum Social Mundial se mostrou o cenário capaz de unir esses dois componentes
de uma forma soberana, sem imposições, permitindo através do respeito às
diferenças, ao pluralismo, à criatividade, que essa transformação cultural
individual e coletiva aconteça. De forma horizontal, sem mais ou menos
importantes, sem maiores ou menores, sem grandes ou pequenos, sem dirigentes ou
dirigidos. Um cenário em que surge esse novo ator tão importante e tão
desafiador para a hegemonia deste nosso conturbado milênio: “a sociedade civil internacional”.[15] Onde o que tem valor é o pluralismo, a diversidade, a
multiplicidade, a diferença de ritmo e intensidade de cada um, a idéia, a
criatividade, a concretização, a aspiração, o sonho. O sonho de “um outro mundo possível”.
· Leda Lu Muniz – Mestra em Sociologia pela Università “La Sapienza” de
Roma Itália, Especialista em Política Internacional pela Fundação Escola de
Sociologia e Política-SP; trabalhou por mais de 10 anos na CEE (hoje União
Européia) na Comissão de Comunicação/ Cultura/Relações Institucionais e
Internacionais entre os países-membros e o Parlamento Europeu. Participante do
NACI-PUC-SP e do CEESA (Centro de Estudos Estratégicos Sul-Americanos). É
pesquisadora na área de Relações Internacionais, Consultora, intérprete/tradutora pública.
[1] Palestra
promovida pelo NACI (Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional) na PUC-SP
em 11 de Março de 2005 [2]
Expressão de Alain Bertho (citado por Chico Whitaker em “O desafio do Fórum
Social Mundial”. Ed. Perseu Abramo. 2005) Participante da organização do Fórum
Social Europeu. Utilizada por ele em 7 de Fevereiro de 2004 numa oficina no
Fórum Social Local de Bures-sur-Yvette (França) se referindo ao tipo de esforço
exigido a quem se integra a esse processo. “A visão política e as formas de
agir politicamente estão sendo profundamente questionadas. É preciso se
desvestir de velhos esquemas, é preciso aprender a desaprender o que nos foi ensinado
durante mais de um século.” [3]
Oito entidades que aceitaram o desafio para realizar o 1º FSM: ABONG
(Associação Brasileira de Organizações não Governamentais); ATTAC (Associação
pela Tributação das Transações financeiras em Apoio aos Cidadãos); CBJP
(Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da CNBB); CIVES (Associação Brasileira
de Empresários pela Cidadania); CUT (Central Única dos Trabalhadores); IBASE
(Instituto Brasileiro de Análises Sócio-Econômicas); CJG (Centro de Justiça
Global); MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). [4]
Carta de Princípios-aprovada pelo Conselho Internacional do Fórum Social
Mundial em 10/06/2001. Vide página oficial do FSM: www.forumsocialmundial.org.br [5] “As decisões da Secretaria sempre serão
tomadas por consenso. No caso de não se chegar a consenso, será aferida por
votos a vontade majoritária, verificando-se em seguida se a minoria aceita a
decisão proposta; se esta não aceitar, a discussão prosseguirá até que se
obtenha o consenso ou o acordo da eventual minoria”. Item 18 do “Acordo Programático para a Constituição do
Fórum Social Mundial” assinado em 8 de Junho de 2001. [6]
Carta de Princípios –artigo 6. “Os
encontros do Fórum Social Mundial não têm caráter deliberativo enquanto FSM.
Ninguém estará, portanto autorizado a exprimir, em nome do Fórum, em qualquer
de suas edições, posições que pretenderiam ser de todos os seus/suas
participantes.[...].Ele não se constitui portanto em instância de poder, a ser
disputado pelos participantes de seus encontros, nem pretende se constituir em
única alternativa de articulação e ação das entidades e movimentos que dele
participem.” [7]
Signatários do Manifesto: Aminata Traoré, Adolfo Pérez Esquivel, Eduardo
Galeano, José Saramago, François Houtart, Boaventura de Sousa Santos, Armand
Mattelart, Roberto Savio, Riccardo Petrella, Ignacio Ramonet, Bernard Cassen,
Samir Amin, Atilio Boron, Samuel Ruiz Garcia, Tariq Ali, Frei Betto, Emir
Sader, Walden Bello, Immanuel Wallerstein. [8]
No encerramento do FSM 2003, foram divulgados 150 e no FSM 2005, 352 documentos
contendo conclusões e propostas de articulação e mobilização, resultantes dos
seminários, oficinas e palestras. Expostos em um imenso painel à beira do palco
central, são as provas de diversidade que o Fórum abriga, e de que não há uma
única proposta final, mas uma infinidade delas. [9]
Francisco Whitaker. O Desafio do Fórum
Social Mundial – um modo de ver.
São Paulo: Editora Perseu Abramo/Edições Loyola, 2005. pp.160/1. [10] O Fórum Social Mundial: Manual de Uso. São
Paulo: Cortez Editora, 2005. p.101. [11]
Exemplos dessas mobilizações foram o dia 15 de Fevereiro de 2003 na
manifestação mundial pela paz, contra a
Guerra no Iraque, e a mobilização via Internet e telefone, após o atentado de
11/03/2004 em Madrid que resultou na queda do governo espanhol que apoiava a
guerra no Iraque. [12] Carta de Princípios. artigo 9. “[...] Não deverão participar do Fórum representações partidárias nem
organizações militares. Poderão ser convidados a participar, em caráter
pessoal, governantes e parlamentares que assumam os compromissos desta Carta.” [13]
Em 2001, as FARC tentaram participar organizando reuniões sem a anuência da
organização do Fórum. Em 2002, tendo
conhecimento dessas intenções a priori, membros do Conselho Internacional
solicitaram que o fizessem fora do espaço do FSM em outro local. [14]
“[...] Semelhante consciência global foi
fundamental para se criar uma certa simetria de escala entre a globalização
hegemônica e os movimentos e ONGs que a combatem. Antes do FSM, os movimentos e
ONGs lutavam contra a globalização hegemônica sem terem noção da sua própria
globalidade.” Boaventura de Sousa Santos. O Fórum Social Mundial: Manual de uso. Idem. p.115. [15]
Termo usado por Chico Whitaker em Foi et
Développement. Paris: Centro Lebret, Março de 2003. |